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Publicado originalmente pelo editor de Novo Milênio no caderno Informática do jornal A Tribuna de Santos, em 16/11/1999.
Última modificação em (mês/dia/ano/horário): 01/05/00 11:24:33
ECONOMIA
É o começo de outra revolução na economia

Os exemplos citados nesta série de matérias são apenas o começo da revolução, tem muito mais a caminho. Quando a America On Line (AOL) chega ao mercado inglês oferecendo acesso gratuito e irrestrito à Internet (atenção, provedores de acesso, pensem nisso!), qual o seu lucro? O mesmo da Netscape, ao dar ao internauta a possibilidade de copiar gratuitamente seu browser. Nos próximos anos, o custo do acesso à Internet vai se reduzir drasticamente e até desaparecer, pois o que vai importar é a oferta de conteúdo, fazer com que você, internauta, faça parte de uma comunidade com preferências definidas e conhecidas.

Quem tinha a informação, detinha o poder, já sabiam as elites da Idade Média. Hoje, isso se traduz em ter o melhor banco de dados sobre pessoas ou coisas. Que o diga o Yahoo! (yes, já no Brasil). Quem tiver uma ficha detalhada com as suas preferências (em todos os sentidos...) pode lhe oferecer produtos sob medida, que você provavelmente comprará. Se agora você compra mamadeira, é potencial comprador de fraldas, roupas infantis e brinquedos, dentro de uns dois anos vai se interessar por oferta de uma escola maternal, daqui há uns cinco anos vai precisar de material escolar, daqui há uns 15 anos gostará de receber ofertas de universidades, não é?

Quem reunir informações em termos de tendências estatísticas pode usá-las para orientar o desenvolvimento de novos produtos ou serviços (lembra do Ibope?). Aliás, não é por acaso que o serviço de vasculhar o banco de dados de uma empresa, em busca de informações valiosas e tendências estatísticas, chama-se mineração de dados (data minning)...

Você tem o bem ou serviço mais adequado às suas necessidades e a um preço bem menor (por evitar os custos de intermediação e propaganda), sem perder o tempo e a paciência com aquelas ofertas que não tem nada a ver. E o vendedor sabe que, além do preço menor, pode contar com sua boa vontade, pois em princípio a oferta vai lhe interessar. Se você comprou um carro, vai precisar de jogo de ferramentas, pneus, polidor, seguro do veículo...

De ponta-cabeça – Muitas empresas estão tendo sucesso na Internet ao inverterem suas atividades: o que seria o produto principal é oferecido gratuitamente, como no caso do sistema operacional Linux. Em vez de pagar uma fábula pelos produtos Microsoft, você faz a cópia dos programas de graça pela Internet, ou então paga apenas o custo dos CD-ROMs, livro-manual, suporte técnico (algo na faixa entre R$ 60 e R$ 90). Então, você se torna um usuário Linux. E esse é o objetivo, criar uma base importante de usuários, aos quais possa ser futuramente oferecida uma gama de produtos especialmente desenvolvidos para atender às suas necessidades. Não se surpreenda portanto se começarem a chover ofertas nas quais você ganha produtos ou serviços - sem sorteio! - em troca da prestação de alguma informação sobre suas atividades (tipo: o que você gosta de fazer no final de semana?).

Ou simplesmente ganha o produto, sem qualquer condição. Dito assim, parece irreal, mas pense bem: o que são as amostras grátis, que visam fazer com que você, ao gostar, passe a comprar sempre, ou o velho esquema das máquinas fotográficas gratuitas Love, que depois de bater o filme você leva ao laboratório para revelar, e sai com uma câmera novinha do mesmo tipo? Desenvolva essa idéia e veja como as possibilidades são talvez infinitas. Na Internet, todos aqueles programas complementares (plug-ins) que você ganha para agregar ao programa de navegação (RealPlayer, Shockwave, Adobe Acrobat...) visam fazer com que você seja usuário deles. Quanto mais usuários houver, mais se justifica que alguém compre o correspondente programa de autoria para produzir os arquivos que você vê com esses plug-ins.

Preço invisível – Em todos esses casos, a noção de preço e valor foi subvertida, ao ponto até de o preço aparentemente desaparecer da relação entre produtor e consumidor. A chave da nova economia é a expressão "agregar valor". Não no sentido de aumentar o preço, evidentemente. A idéia é pegar um produto ou serviço tradicional e acrescentar uma vantagem, algo mais que atraia clientes e faça com que eles se mantenham fiéis. 

Fidelização é outra palavra chave: se o concorrente está distante de você apenas um clique no mouse, muitas vezes com oferta semelhante, o que faz você continuar fiel a uma marca ou empresa? Uma resposta é o SmartClub, em que você acumula pontos durante suas compras em certas lojas, e depois troca tais pontos por brindes. Versão varejista dos programas de milhagem das companhias aéreas...

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