Clique aqui para voltar à página inicial  http://www.novomilenio.inf.br/ano98/9810bcd4.htm
Matéria originalmente publicada pelo editor de Novo Milênio no caderno de Informática do jornal A Tribuna de Santos em 13/10/1998
Publicado em Novo Milênio em (mês/dia/ano/horário): 12/08/00 20:23:10
DEMOCRATICAÇÃO DA INFORMÁTICA - 4
Manuais explicam a forma de montar a escola

Para a montagem de uma escola, o CDI criou o formulário "Diretrizes para implantação de Escolas de Informática e Cidadania", com base no qual a comunidade interessada prepara um projeto que será analisado pelo próprio comitê.

É necessário que nessa comunidade seja identificado um grupo de pessoas que se responsabilize pela administração e gestão da escola. Depois, são selecionadas algumas pessoas que queiram aprender informática para serem futuros professores e que receberão do grupo de Educação do comitê uma capacitação técnica e pedagógica. Após três meses, essas pessoas estarão aptas a voltar para as suas comunidades e ensinar a introdução à informática, sistema operacional e a usar um editor de textos. 

O ideal é um instrutor para cada turma de dez alunos (com cinco computadores e uma impressora). Os novos instrutores, além de se tornarem funcionários dessas escolas, são também os agentes multiplicadores que formam novos instrutores para ampliar o projeto da escola da comunidade ou para outras comunidades.

A primeira preocupação de um comitê comunitário, além de encontrar os voluntários para o trabalho de instrutor, é identificar espaços para as escolas, que podem ser cedidos por instituições que possuam vínculos com a comunidade, credibilidade e idoneidade (por exemplo, uma associação de moradores, uma igreja ou um centro comunitário). Deve ainda promover uma campanha para doação de equipamentos, além de parcerias com instituições públicas ou privadas. 

Um grupo da comunidade, em parceria com o comitê, se responsabiliza pela administração da escola, fazendo os trabalhos de secretaria e cuidando das instalações. As aulas têm duração mínima de uma hora e são oferecidas para cada turma, em geral, duas vezes por semana. O ideal é ter no mínimo quatro turmas por dia se revezando no uso dos equipamentos. É recomendado que o espaço para as aulas não seja apertado e conte com segurança e condições para as instalações elétricas necessárias. A sala deve ter mesas e cadeiras e um quadro branco porque o quadro de giz não pode ser usado (solta muita poeira que prejudica o equipamento). A temperatura deve ser adequada e a sala deve ser equipada pelo menos com um ventilador de teto.

As escolas são auto-sustentáveis e autogestionadas, funcionando como empreendimentos sociais, mediante cobrança de uma mensalidade equivalente a R$ 10,00. Isso não quer dizer que quem não disponha dessa quantia não possa fazer o curso, pois o aluno pode fazer um acordo com a administração e pagar com serviços prestados à própria escola. É uma forma de criar responsabilidade com os horários e com os equipamentos. Como cada sala tem, no mínimo, cinco computadores e dez alunos por aula, cada turma chega a arrecadar cerca de R$ 100,00, dos quais metade é para a escola pagar custos de manutenção, energia, telefone etc. e a outra metade vai para os instrutores. Estes precisam passar por cursos de atualização constantes, para se manterem atualizados com as novas tecnologias que surgem.

Assim, as EICs se transformam em um grande empreendimento nessas comunidades, permitindo que potenciais excluídos do sistema econômico tenham acesso à informática e à comunicação por rede.

Clique sobre a imagem para ver algumas páginas deste manual
Convênios - O grande desafio é buscar a auto-sustentação, por meio de parcerias com instituições privadas ou públicas. No Rio de Janeiro, por exemplo, foi aproveitado um programa do governo federal que abriu concurso para projetos de capacitação e profissionalização de jovens em situação de risco. O CDI apresentou um elogiado projeto para a montagem de uma EIC em área rural muito pobre da cidade de nova Iguaçu. Ali, além do ensino de Informática e alguns conceitos práticos de cidadania, huve a inclusão do ensino de Inglês Técnico, de atividades lúdicas e de História da Cidadania. A continuidade desse convênio beneficiou cinco comunidades da região Maré-Manguinhos, também no Rio de Janeiro.

Uma das entidades nacionais do setor de Informática que apóia esse trabalho é a Fenasoft Feiras Comerciais Ltda., promotora da exposição anual Fenasoft, entre outros eventos. Foi com o apoio da Fenasoft que em agosto de 1996, foi criado o CDI de Além Paraíba, em Minas Gerais, que atualmente atende 120 alunos e tem uma turma de dez alunos adolescentes portadores de deficiência. Em todo o Brasil, mais de oito mil alunos já tiveram a oportunidade de entrar na era da informática e buscar um futuro melhor, através do trabalho do CDI.

O Comitê para Democratização da Informática funciona na Rua Haddock Lobo, 78, bairro do Estácio, no Rio de Janeiro (CEP 20260-132), com os telefones (021) 273.6647 e 273.6648, e-mail cdi@ax.apc.org, home-page http://www.ibase.org.brl/~cdi ou http://www.alternex.com.br/~cdi/. Em São Paulo, a referência é a Casa Dom Macário, telefone (011) 6954.2547.

Veja, nesta série:
(1) Do sonho para a realidade
(2) Democracia e informática se unem
(3) Como funciona o trabalho do CDI
(4) Manuais explicam a forma de montar a escola
(5) Um manual do CDI - algumas páginas