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Publicado em 14 de setembro de 1992 no jornal santista A Tribuna
Última modificação em (mês/dia/ano/horário): 02/26/03 16:39:55
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HISTÓRIAS E LENDAS DE SANTOS - CIDADE FESTIVA
A música e os músicos de Santos (3)

Bandeira Jr. (*)
Colaborador

José Moschariello (Pepe), musicista e regente, nasceu em 1915 na Vila Matias, no dia da Bandeira (19 de novembro) e, desde cedo, mostrou pendores para lidar com as solfas e os sons.


José Moschariello, o Pepe, nasceu em 1915 na Vila Matias

Aos 14 anos, Pepe já soprava regularmente o instrumento que faria a fama do ianque Harry James. Funcionário da Companhia City, Pepe começou integrando a bandinha que animava os bailes do City Clube (Rua Visconde do Embaré, esquina com a Praça dos Andradas), até incorporar-se à Orquestra do falecido Hamleto.

No conjunto de Escudero & Idilberto, o gordo Pepe logo assumiria a liderança, reforçada na fase Pepe & Idilberto, tanto no conjunto como na loja musical da Rua Amador Bueno, 137 - local de concentração de músicos, ritmistas e cantores da Baixada. Com seu trupete (N.E.: SIC: trompete), Pepe acompanhou os maiores nomes da MPB.

Pepe encaminhou seus dois filhos na trilha musical da vida: Betinho do Vibrafone (falecido tragicamente em 1981) e Serginho e Sua Jovem Banda.

Fato pitoresco na vida do grande trompetista: ele, com sua banda, tocava no tablado, onde seriam substituídos pelo internacionalmente famoso Francisco Canaro Y Su Tipica, cujo hit do momento era "Por Vós Yo Me Rompo Todo"; Pepe, antes de descer do tablado, executou o sensacional tango em ritmo de... samba!

O célebre maestro argentino, não contente em aplaudir, foi ainda pessoalmente cumprimentar nosso popular band leader.

Bom chefe de família, fiel companheiro e excelente músico, Pepe deixou, na música dançável de Santos, lacuna difícil de ser preenchida.


Orquestra de Oscar Guzella - sob a direção, por herança, do jovem Guzelinha, em foto de 1989

Outras orquestras de danças: Hamleto e Seus Rapazes; Cadetes Santistas (do exímio flautista Burgos); Orquestra Nardy; Peruzzi e Sua Banda (vestidos à maneira do Harlem); Cabral e Sua Orquestra que, depois de 1950, passou a Cabral e Seus Cubancheros (imitando a típica cubana de Xavier Cugat, que aqui se apresentou no Coliseu e no ginásio do Clube Atlético Santista); Betinho do Vibrafone, que ainda faz sucesso com a presença espiritual do seu criador; Vicente All Stars (do trumpet man Vicente Ferreira); Eduardo Costa (o Ed Costa da alta sociedade paulistana); Orquestra de Haroldo Moura; Pepe e Seus Rapazes; Roberto, Órgão & Conjunto; Simonetto Momento-68; Original Music Choral (Irmãos Ribeiro, de ótima vocalização); Tico-Tico e Conjunto (atualmente o hábil tecladista toca escoteiro, quase que exclusivamente em igrejas); Orquestra Miramar, evocação do maestro Jorge da Conceição; Roberto Musical Show; os Praianos, outro êxito de Cabral Júnior; Super Som M.F. (Mário Folganes); Show Musical New Zago (liderado pelo internacional pianista Nílson Zago); Caribe Steel Band - os tambores mágicos do Caribe, sob a regência do maestro Reginald Simpson, aportaram a Santos em 1968 e aqui ficaram por mais de dez anos; Trilha Sonora; Mustache; Star Five; The New Tropical Band, do médico e band leader Jorge Caldeira Filho, que é a orquestra mais solicitada fora da orla.


Tambores Mágicos do Caribe, liderado por Reginald Simpson

(*) Bandeira Jr. é historiador e escritor em Santos. Este artigo foi publicado em três partes, nas edições de 31 de agosto, 7 e 14 de setembro de 1992, no jornal santista A Tribuna. As imagens são reproduções do arquivo do autor.

Veja as partes [1] e [2] desta série