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Publicado em 22/11/2024 13:00:21
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HISTÓRIAS E LENDAS DE SANTOS - CINEMA
O cinema em Santos (37)

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A época áurea das casas exibidoras de cinemas em Santos foi marcada por situações inusitadas e episódios saborodos que a Imprensa ia registrando nas páginas de jornais e revistas. Imagine as madames, com seus longos e luxuosos vestidos, elaboradíssimos penteados e chapéus destinados às fotos nas colunas sociais, tendo chiliques e disputando espaço e glamour nas salas de cinema com... uma simpática vaca? Pois é...

A vaquinha que gostava de filmes e danças

Acontecia de tudo nos primórdios das empresas exibidoras de filmes, desde a "parceria" com a empresa de bondes para garantir transporte urbano dos espectadores até suas casas (ao final das sessões noturnas) - parceria essa nem sempre cumprida, sujeitando as pessoas a voltar a pé e no escuro para suas casas -, até a presença de animais não tão domésticos no interior dos cinemas situados em centros de lazer, cassinos e dancings que surgiam na orla da praia.

Jornais contemporâneos desses fatos citavam episódios saborosos, com toda a verve irônica e humorística dos escritores e jornalistas que os narravam. Como o caso da vaquinha que invadiu o cinema e depois resolveu dançar, aliás de modo talvez mais calmo e comportado que certos espectadores...

Para contextualizar, vejamos como era a propaganda do centro de diversões Miramar, situado no Boqueirão, junto à praia:


"Muito caro - Muito 'chic'... Nada grátis, só a entrada. Tudo pago."
Jornal A Tribuna, 29/4/1917, página 11

Sentiram o clima? Muito caro, muito chique, nada gratuito, tudo pago. E a história ali ocorrida foi assim, conforme relatada pelo jornal Praça de Santos de 17 de dezembro de 1927, página 13 (ortografia atualizada nesta transcrição):

Um reboliço no Miramar

A vaca entrou no cinema - Houve correrias, atropelos e chiliques

Anteontem, às 23 horas, no Miramar entrou uma vaca... Não foi ao cassino, nem à roleta. Queria, apenas - vaca gentil - ver um pouco de cinema.

Mas, os espectadores, ninguém sabe porque, estranharam aquela vaca, àquela hora, no cinema ao ar livre... Podia ser um ato comum, depois das 23 horas... Mas assim não acharam. Houve correrias, gritos, atropelos, chiliques líricos e correográficos.

A vaca, atordoada, assombrada mesmo com a singular hostilidade, também correu. É verdade que não gritou nem teve ataques. Uma vaca viajada, por certo.

Aquilo, porém, não podia continuar: e alguns rapazes prenderam o mamífero, retirando-o do cinema, juntamente na ocasião em que ele ameaçava exibir-se no dancing.

O fato nos foi narrado ontem por um espectador que terminou a história dizendo:

- Pois foi assim. O cinema ao ar livre, no Miramar, esteve ontem avacalhado... mas só depois das 23 horas.


Um reboliço no Miramar...
Jornal Praça de Santos, 17/12/1927, página 13

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