RESUMO / ABSTRACT
Este trabalho reporta a intervenção municipal decretada pela prefeita Telma de Souza na Casa de Saúde Anchieta, em
1989, um sanatório para doentes mentais na região de 10 cidades, o único até 1983, em Santos, São Paulo, Brasil. Faz o histórico da caminhada da
psiquiatria e da luta antimanicomial no mundo, no Brasil e em Santos. E mostra a cronologia dos fatos relativos à intervenção e ações paralelas de
personalidades no setor da luta antimanicomial, no tema da Reforma Psiquiátrica brasileira.
PALAVRAS-CHAVE: Intervenção Municipal, Loucura, Hospital Psiquiátrico, Psiquiatria, Políticas de Saúde,
Reabilitação, Reforma Psiquiátrica, Saúde Mental, Políticas de Saúde.
ABSTRACT: This work reports the municipal intervention decreeted by Mayor Telma de Souza on Casa de Saúde Anchieta in
1989, in Santos, São Paulo, Brazil, a madhouse to mental sickness around ten cities, the only one until 1983. It makes psychiatry walking and
the antimanicomial fight in the world, in Brazil and in Santos City. It shows the chronology of the facts of intervention and parallels acts of
personalities in the antimanicomial fight fields in brazilian psychiatric reform.
KEYWORDS: Intervention town council, Madness, Psychiatric Hospital, Psychiatry, Mental Health, to Rehabilitate,
Health Policy.
CLASSIFICAÇÃO BIBLIOGRÁFICA
362.21
M433a
Matos, Paulo –
Na Santos de Telma, a vitória dos mentaleiros - Anchieta, 15 anos - 1989 – 2004 / a história da quarta revolução mundial da psiquiatria /
exemplo santista nacional e mundial de políticas de Saúde Mental / um documento da luta antimanicomial. Santos, e.a., 2004
1.Saúde Mental – Santos (município) 2. Loucura 3. Psiquiatria – Santos (município) 4. Psiquiatria (história) 5. Casa de Saúde Anchieta – Santos
(município) 6. Hospitais psiquiátricos 7. Saúde Mental – leis e legislação 8. Saúde Mental – terapias alternativas 9. Saúde Mental, intervenção
municipal – Santos (município) 10. Arte e loucura
2004
*
Como documento da luta antimanicomial, uma batalha contra a opressão secular e exemplar do sistema de dominação, este
livro busca somar instrumentos para este pleito de justiça, endossando a causa humanitária e contribuindo que se faça o futuro que se fez aqui -
construindo uma nova ordem baseada nos Direitos Humanos e na Justiça Social.
O
autor
*
"Nós, os psiquiatras, estamos abdicando de todo o poder que nos foi conferido, em busca da integração com todas as
áreas. Estamos ao lado dos oprimidos e não do opressor".
(Psiquiatra Domingos Stamato, militante antimanicomial,
A Tribuna, 15 de junho de 1980)
*
"Gente é para brilhar"
(Caetano, por Telma)
*
III
AGRADECIMENTOS
A Adelma, Paula, Pluma e Paulo Matos Jr., esposa e filhos; à minha
mãe Maria de Lourdes – e a todas as pessoas que suportaram as tensões do trabalho e o incentivaram, compreendo-o em sua importância; a militante,
vereadora, prefeita e deputada Telma, pela evolução humanitária que soube reunir a vontade à cidade, que elevou.
A David Capistrano, que incorporou a ideologia socialista e humanista
à ação concreta; a Domingos Stamato, psiquiatra e militante social avant coureur, precursor municipal da luta antimanicomial e referencial
deste trabalho; a estes e todos os envolvidos nesta batalha humana, um projeto de vida, meus agradecimentos.
Os Barbosas e as utopias
Alberto Pires Barbosa foi um líder dos trabalhadores desde antes do Raul Soares
de 1964. Incorporado nesta ação de mudança social que foi o governo Telma, resgatando antigos valores sociais, foi seu secretário de relações
sindicais. Em 1999 partiu, sem ver o filme feito em sua homenagem, laureado Cidadão Santista dias antes. Era o "Bom Barbosa", não o da Ditadura.
Como ele, parceiro perene de Telma desde o início desta caminhada
solidária, Fábio Barbosa é outro "Bom Barbosa" - como chamavam aquele, ao revés da Ditadura -, este capaz de delinear e concretizar, não como
sindicalista mas como economista e professor, as propostas de mudança destes e destas que tornaram possíveis as utopias.
Aos Stamatos, Domingos e João Antonio, que de formas diferentes contribuíram para
que este livro fosse possível.
Ao companheiro psicólogo Rivaldo Leão, pelos alertas.
Às associações Franco Rotteli, Franco Basaglia, Maluco Beleza e Diferente Cidadão,
por seu papel de resgate fundamental.
MENTALEIROS
Primeiros a se mobilizar contra a violência das instituições
psiquiátricas, mesmo porque sofriam e sofrem as conseqüências dos maus-tratos aplicados, os "mentaleiros" são heróis e construtores de um novo
mundo.
*
Minha geração não lamenta mais os crimes dos
perversos quanto o estarrecedor silêncio dos bondosos (Martin Luther King)
Santos não se calou.
IV
ESCLARECIMENTOS
Na época da intervenção, a imprensa local
chegou a fazer referências sobre a criação do título "Casa dos Horrores" para denominar a Casa de Saúde Anchieta, como a reportagem de A Tribuna
em 28 de maio de 1999. Atribuindo sua criação aos interventores do Governo municipal em 1989, na intenção de maldizer o manicômio santista.
Entretanto, a reportagem do jornal A Tribuna
de 15/6/1980, na página 23, comprova que a expressão já era usada pelos estagiários e profissionais que atuavam na instituição, revelando a extensa
tradição do Anchieta – o exemplo santista desta ação desumana. A expressão já era usada pelos "mentaleiros" - os profissionais que atuam
no atendimento da Saúde Mental -, para denominar este tipo de instituição.
*
"Antes de decretar a intervenção no
Anchieta, me perguntei: eu tenho estrutura para isso? E a resposta é que não. Não tem importância, eu vou adiante mesmo assim. Eu não poderia mesmo
governar uma cidade doente, com esse sintoma, com esta chaga – o manicômio" (Prefeita Telma de Souza) |