Foto - feita em 1865 - do antigo Campo da Chácara (atual
Praça dos Andradas), que era conhecido anteriormente por Campo ou Largo de São Jerônimo (devido ao
ribeirão com o mesmo nome que corria pelas suas imediações), e que passou a Largo da Cadeia Nova, com o surgimento do edifício da
Casa da Câmara e Cadeia (hoje Casa da Cultura), que começara a ser construído em 1839. Além dos
animais pastando, vê-se ainda, num segundo plano, à esquerda, a Igreja de São Francisco de Paulo (reformada em 1835/36):
Foto da Coleção Arnaldo Aguiar Barbosa, publicada no jornal Cidade de Santos em
16/1/1983
(aqui, reprodução direta do copião fotográfico original do jornal)
A mesma imagem (do fotógrafo Militão Augusto de Azevedo),
reproduzida com corte diferente e outra iluminação:
Foto: "Largo da Cadeia Nova" - albúmen 11,4 x 16,9 cm – acervo
do Instituto Moreira Salles. Publicada na Revista USP nº 41, de março/maio de 1999, editada pela Coordenadoria de Comunicação Social da
Universidade de São Paulo (USP), S. Paulo/SP
Sobre essa foto, escreveu o arquiteto Gino Caldatto Barbosa, no livro Santos e
seus Arrabaldes - Álbum de Militão Augusto de Azevedo, em 2004: "O largo ganhou tal denominação diante da
iminente transferência do primitivo edifício da Câmara e Cadeia, que ficava ao lado do Convento do Carmo, para um local isolado. Em épocas mais
remotas, recebeu nomenclaturas diversas, como Campo da Chácara e Campo de São Jerônimo. No final de 1865, passou a se chamar Praça Andrada, em
seguida aprimorada para Praça dos Andradas, como é atualmente.
"Vinte anos depois de iniciada a construção, em agosto de 1865, a Casa de Câmara foi
inaugurada, na época considerada um dos maiores edifícios da cidade (Revista Comercial, 2/set/1865, p.3). Em 7 de abril desse ano, a Câmara
Municipal, desejando finalizar as obras, publicou edital de contratação de serviços com destaque para execução de cantarias, assoalhos, forros,
portões e 'seis portas de vidro para janelas da frente' (idem, 8/abr/1865, p.2).
"A imagem de Militão de Azevedo incorpora grande significado histórico diante do
registro do edifício em estágio final de construção, com paredes recém-caiadas e as seis vidraças, no andar superior do sobrado, ainda por terminar.
Nas proximidades, junto ao Monte Serrate, ficava a setecentista Igreja de São Francisco de Paula, ao lado do sobrado da Santa Casa da Misericórdia,
que subsistia no local desde 1836.
"Os prédios perfaziam um conjunto arquitetônico peculiar, cujo despojamento decorativo
da fachada e a composição volumétrica gerada pelos dois edifícios lembravam a simplicidade da arquitetura dos jesuítas no Brasil. O antigo Campo da
Chácara exibia, na primeira metade do século XIX, aspecto de local subutilizado, com assentamentos humanos restritos, cujas moradias foram
levantadas em torno do terreno alagadiço rasgado pelo tortuoso Ribeirão de São Jerônimo.
Segundo Gino Caldatto, "a fotografia de Militão,
de 1865, desperta interesse por desvendar um sentido de permanência do cenário antigo diante da pouca prosperidade, notadamente identificado no
aspecto rural que a cena recupera. Casas térreas enfileiradas, com a igreja ao fundo e a sede da Câmara e Cadeia ao centro, em um largo que mais
parece área de pastagem, organizam certo desprendimento urbanístico que traz à memória a cenografia que caracterizou os antigos engenhos de açúcar
do Nordeste em séculos passados, com senzala, capela e casa-grande". |