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Publicado originalmente pelo editor de Novo Milênio no caderno Informática do jornal A Tribuna de Santos, em 16/7/1996.
Última modificação em (mês/dia/ano/horário): 01/08/00 10:08:51
TIMOR LESTE
Os detalhes do conflito 

Para se compreender as origens do problema, um endereço básico é “A obscura história de Timor Leste”, que começa com uma pintura da ilha Jacku, feita pelo líder capturado da resistência nacional timoresa, Xanana Gusmão, na prisão de Cipinang, e oferecida ao presidente de Portugal. Na ilha Jacku, durante os anos 80, os guerrilheiros encontraram refúgio em meio às ofensivas indonésias.

Os dados geográficos, incluindo um mapa da região, também estão em página Web, explicando que Timor é a palavra malaia para Oriente, e designa uma ilha do Mapa da região do Timor (página em 9/7/1996)Arquipélago Malaio, a maior e mais oriental das Lesser Sundas. Banhada pelo Mar do Timor (parte do Oceano Índico) ao Sul e pelo Oceano Pacífico (Mar Banda) ao Norte, a ilha está situada cerca de 500 km ao Norte da Austrália e cerca de 1.000 km de Java. Tem 32.350 quilômetros quadrados, sendo que o território subjugado (Timor Leste) ocupa cerca de 19.000 km². A cidade de Díli é desde 1769 a capital do Timor Oriental.

Em outra página está a história (portuguesa) da região, conquistada em 1509 pelos portugueses, que começaram a se estabelecer na ilha efetivamente a partir de 1633. Em 1896, foi transformada em colônia subordinada a Macau, também parte da presença portuguesa no Oceano Índico, como Goa, Daman e Diu. 

Em 1910, como relata a cronologia (indonésia) de Timor Leste, ocorreu a primeira grande rebelião contra a dominação portuguesa, “violentamente sufocada depois de 18 meses”. De 1942 a 1945, os japoneses ocupam a Indonésia, e em agosto de 1945 começa nova rebelião em Timor Leste contra a presença portuguesa.

Com a Revolução dos Cravos em Portugal (25 de abril de 1974), pondo fim a décadas de domínio salazarista nesse país, os portugueses começam a preparar sua retirada de todas as colônias ultramarinas. De maio a novembro de 1974, cinco partidos políticos são organizados em Timor Leste, preparando o caminho para a independência, mas em março de 1975 o primeiro referendum popular pró-independência é contido pelos militares portugueses, o que leva ao início dos ataques terroristas da Fretilin contra os oponentes políticos. Em agosto de 1975, com apoio das forças da UDT, começa uma ação efetiva pela libertação, que no dia 20 toma parcialmente a capital, abandonada pelos portugueses no dia 26.

Três dias depois, conforme o texto da cronologia indonésia, o governo indonésio requer que o governo português retome a autoridade sobre o território, para completar o processo de descolonização, mas Portugal falha em restabelecer sua presença. Nos dois meses seguintes, a Fretilin amplia seus ataques, e milhares de refugiados fogem para Timor Ocidental. Dia 28 de novembro de 1975, a Fretilin declara unilateralmente a independência do território. 24 horas depois, Portugal se proclama a força administrativa do Timor Leste, sendo contestado no dia seguinte por quatro partidos, incluindo a UDT, que anunciam sua proclamação de independência e simultânea integração com a República da Indonésia.

Nos meses seguintes, as Nações Unidas entram no processo para negociação da paz no território, mas dia 5 de junho de 1976 uma delegação popular do Timor Leste, liderada por Arnaldo dos Reis Araújo, chefe executivo do governo provisório desse território, apresenta em Jakarta uma petição pela imediata integração do Timor Leste à Indonésia, o que ocorre finalmente em 17 de julho daquele ano.

Pintura da ilha Jacku, de Xanana Gusmão - página em 9/7/1996 Noticiário semanal, da Nova Zelândia - página em 9/7/1996
Acusações - Desde então, nos últimos vinte anos, a questão submergiu no noticiário, a ponto de ser apelidada de “A guerra que o mundo esqueceu”, na página britânica “East Timor and Indonesia Campaign”, mantida na Universidade de Glasgow. O ex-presidente da campanha, Steve Malloch), denuncia que desde a invasão indonésia em 1975, um terço da população de Timor Leste foi morta (cerca de 300 mil pessoas), além de muitas estarem sendo torturadas em Jakarta e não serem respeitados os direitos humanos no território ocupado. 

Apesar dessa invasão ser comparável à do Kuwait pelo Iraque e ser igualmente condenada pelas Nações Unidas, o Ocidente praticamente nada fez a respeito do que pode ser descrito como um genocídio, afirma ele, em crítica que o ex-presidente português Mário Soares, na semana passada, endereçou claramente aos Estados Unidos.

A mesma acusação sobre a morte de 300 mil pessoas pode ser vista nos citados endereços portugueses da Internet. Já o endereço gopher convida o cibernauta à ação: “Escreva para Clinton: 20 Anos de Vendas de Armas são suficientes”.
Trata-se da crítica à venda internacional de armas à Indonésia, para uso contra a população de Timor Leste, especialmente a venda de caças a jato F-16.

'A guerra que o mundo esqueceu...' - página em 9/7/1996 Embaixada da Indonésia no Canadá defende sua posição, em 9/7/1996
Respostas - A Embaixada da Indonésia no Canadá, em Ottawa,  responde às principais críticas em seu endereço na rede. Afirma, por exemplo que o que os portugueses chamam de descolonização foi simplesmente um abandono dos timorenses à própria sorte, ou mais, o apoio secreto à Fretilin, instigando uma guerra civil. Explica que na Indonésia cada parte do arquipélago é uma nação autônoma, sendo todas unificadas por esse nome, e que se auto-ajudam, daí a ajuda que está sendo dada ao desenvolvimento de Timor Leste.

Sobre o genocídio, o governo indonésio afirma que o único censo internacionalmente aceito no território foi feito em 1980, registrando 555.350 habitantes, 69 mil a menos que a estimativa colonial. Mas, a verdadeira diferença nunca será conhecida, pois a última estimativa colonial, em 1974, era baseada em informações dos líderes regionais, nunca verificadas pelo governo português. 

Em 1976, segundo a embaixada de Ottawa, um porta-voz do governo provisional de Timor leste informou à imprensa internacional que 60 mil pessoas haviam morrido. No dia seguinte, reformulou a declaração, dizendo que esses 60 mil haviam “morrido ou perdido suas casas”, e isso incluía 40 mil refugiados que tinham ido para Timor Ocidental.

Em seguida, os indonésios acusam o terrorismo da Fretilin e a fuga de refugiados para Timor Ocidental (durante e logo depois da guerra) como verdadeiras causas da redução populacional. Cita estimativas ocidentais de que 5.000 morreram na guerra e outros 25 mil como vítimas de desnutrição e doenças na destroçada economia timorana do pós-guerra.

Página Free Timor Leste, em 9/7/1996 Página sobre os partidos políticos, em destaque a Fretilin, em 9/7/1996
Outros endereços - Um texto do ex-embaixador dos Estados Unidos em Jakarta, Edward Masters, aborda o tema em página indonésia: “Caluniar a política de Jakarta como de limpeza étnica e pedir pela independência de Timor Leste é fácil e irresponsável”.

A página do East Timor Human Rights Centre (ETHRC), de Melbourne, Austrália, também está na Internet, enquanto a Nova Zelândia comparece com um sumário noticioso semanal. O noticiário da semana passada (7/1996) destacava a existência do newsgroup (grupo de notícias sobre determinado tema) reg.easttimor, criado pelas redes PeaceNet, GreenNet, Pegasus e outras (participantes da Alliance for Progressive Communications). Entre as demais as notícias do site da ETHRC, a denúncia (com fotos) do jornalista australiano Brian Kelly, divulgada via Internet no dia 6, sobre timorenses forçados a abandonar suas casas e migrar para outras ilhas indonésias.

Como curiosidade, saindo da Internet, saiba que o jogo “Flying Nightmare” retrata bem a situação de Timor Leste, segundo afirmou um dos líderes da resistência à ocupação, Ramos Horta, na televisão portuguesa RTP Internacional, em 19/5/1996...

Entidade dos Direitos Humanos, na Austrália - página em 9/7/1996 A argumentação da Indonésia - página em 9/7/1996
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