Clique aqui para voltar à página inicial  http://www.novomilenio.inf.br/ano01/0103d014.htm
Última modificação em (mês/dia/ano/horário): 03/30/01 00:08:08
Inadimplência cresce na telefonia celular 

Só se compara às taxas obtidas por empresas de saneamento e distribuição de energia

As operadoras de telefonia celular têm amargado com o não pagamento de contas por parte dos seus clientes. Analisando balanços de diversas operadoras, a partir de 1998, a empresa de consultoria Value Partners obteve o seguinte resultado: no período de 1998 a 1999, com exceção da Telemig (que reduziu de de 21 para 3%) e da Tele Celular Sul (que diminuiu de 8 para 7%), as principais operadoras de telefonia celular no Brasil apresentaram um crescente nível de inadimplência, somente comparável com as taxas obtidas por empresas dos setores de saneamento e distribuição de energia, que são mais vulneráveis ao problema da fraude (as campeãs são a Eletropaulo e a Sabesp, com índices de 9 e 10% respectivamente). 

A Tele Leste, por exemplo, registrou um aumento de inadimplência de 2 para 13% em seu balanço de 99; na Tele Nordeste, este índice dobrou de 5 para 10%. Já a Tele Centro Oeste, Tele Sudeste Celular e a Telesp Celular tiveram um aumento menos expressivo, variando de 0,1 a 2%. No período 1999-2000, duas operadoras já tiveram seus balanços analisados. Uma delas diminuiu o número de assinantes em débito (a Tele Leste baixou o índice para 6,8%) e a outra apresentou um pequeno aumento percentual (a Telesp Celular teve um acréscimo de 1,3% em seu nível de inadimplência).

Para Emilio Voli, Vice presidente da Value Partners, algumas fórmulas bastante simples poderiam ajudar a reverter esse quadro. "Acredito que se as operadoras trabalhassem como as financeiras, ou seja, administrando assinaturas de celulares como cartões de crédito, por exemplo, a partir do perfil do usuário e estabelecendo limites de gastos, como no cheque-especial, complementando a abordagem com uma profunda análise do futuro cliente, as operadoras teriam mais condições de controlar o uso das linhas, diminuindo, não só a inadimplência, mas também as fraudes, tipo clonagem de linhas, visto que qualquer mudança no comportamento do assinante poderia ser facilmente percebida e checada". 

As operadoras já estão de fato "filtrando" suas carteiras de clientes, para evitar prejuízos maiores. "Estamos vivenciando um processo contrário ao ocorrido na época da liberação da banda B, quando as operadoras passaram a oferecer facilidades irrestritas e sem avaliação do assinante", explica o consultor. 

"Hoje, as empresas de telefonia, não só filtram seus clientes, como acompanham seu comportamento, chegando, até mesmo, a oferecer planos de migração do pós para o pré-pago a fim de diminuir o risco de não receber suas faturas". A Telemig, por exemplo, que conseguiu reduzir quase a zero seu nível de inadimplência, para chegar a esse resultado chegou a ter a maioria de seus clientes operando no plano pré-pago. Hoje, esta proporção é de 38% em 1 milhão de assinantes. 

Causas da inadimplência - As principais causas para o atraso no pagamento de contas de telefone celular no Brasil estão ligadas ao desemprego e à renda do usuário (19% dos inadimplentes estão desempregados). A seguir, vem o atraso em pagamentos de linhas que foram vendidas ou transferidas (mas em função do barateamento das linhas, esta modalidade de inadimplência caiu de 22% para 10% em seis meses e tende a desaparecer em curto espaço de tempo) e compras para terceiros (modalidade que vem crescendo em função das novas exigências das operadoras para habilitar assinantes).

"Se, por um lado, houve uma sensível diminuição do mercado secundário de celulares, observamos que têm crescido muito a compra de telefones pós-pagos para terceiros", afirma Emilio Voli. "Isso se deve pelo aumento das exigências para os assinantes, como comprovação de renda e análise de crédito, medidas utilizadas para diminuir a inadimplência", explica o consultor.

Clique nesta imagem para vê-la em tamanho maior
A Value Partners é uma empresa internacional de consultoria estratégica criada em 1993. A empresa auxilia executivos e empreendedores a solucionarem problemas complexos e buscarem novas oportunidades. Em seus escritórios de Milão, Roma, São Paulo, Praga, Budapeste, Houston e Buenos Aires a empresa mantém uma equipe de mais de 130 consultores. A rede internacional da Value Partners inclui ainda a OC&C Strategy Consultants, com escritórios em Londres, Paris, Roterdã, Düsseldorf, Hamburgo, Boston, e Mc Kenna Group, com matriz em Palo Alto.