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HISTÓRIAS E LENDAS DE GUARUJÁ
Milagre é achar o poema

Obra de José de Anchieta é citada em Guarujá, mas seu teor não aparece

Vários pesquisadores já foram consultados por Novo Milênio acerca do poema Milagre dos Anjos, que José de Anchieta teria escrito na Ermida do Guaibê, em uma de suas passagens pela Ilha de Santo Amaro, atual município de Guarujá. Até agora, o texto do poema não foi localizado, sendo raras inclusive as citações de sua existência.

A melhor referência até o momento foi localizada pelo internauta Alberto Turismólogo (José Alberto A. Melo, turismólogo formado pela Unaerp-Guarujá e pesquisador especializado na Ponta da Armação, em Guarujá) na obra Vida do Venerável Padre José de Anchieta (1672), 1º volume, escrita pelo padre Simão de Vasconcelos e editada no Rio de Janeiro pela Imprensa Nacional, em 1943 (páginas 194 e 195):

[...]

5. Aqui vem agora bem empregada a história célebre, jurada de muitas testemunhas nos processos já ditos. Partiu José uma vez entre muitas a visitar a aldeia primeira destes índios, situada junto ao forte da barra, por nome Bertioga. Deteve-se com eles dous dias e agasalhou-se com o capitão no mesmo forte.

Havia defronte uma ermida devota da Virgem, pediu ao hóspede que queria ir passar a noite naquele oratório, veio de boa vontade nisso e foi acompanhando-o ele e um genro seu, por nome Afonso Gonçalves, com uma vela acesa, e deixando-o, se tornaram a casa, com a mesma tocha, ficando José às escuras.

Eis que, no silêncio da noite, tempo em que dormiam os mais, a mulher do genro do capitão viu e ouviu um espetáculo sobrenatural. Viu a capela, em que José orava, cheia de luz maravilhosa, que lançava seus raios por janelas e portas, alumiando toda a casa, e ouviu música de vozes admiráveis, que pareciam anjos.

Despertou ela o marido, viram e ouviram e, querendo sair e averiguar que seria a causa de tão grande contento, começaram a entrar em pasmo e tremor de membros, que lhe impedia de o mover-se, e juntamente os detinha o gozo da doçura celestial, que sentiam e durou neles por muitos dias, todas as vezes que refrescavam a memória daquela celeste harmonia.

6. Vendo José que estava descoberto o favor que o céu lhe fizera, e não podendo encobrir com razões, como pretendeu no principio, pediu aos dous, marido e mulher, com grande instância, e mandou com obediência, por ser confessor seu e pai espiritual, que, enquanto ele vivesse, não descobrissem a visão que tiveram.

Juraram tudo o sobredito, depois de morto, as mesmas testemunhas, que foram juntamente de vista e ouvida, acrescentando que tiveram sempre por certo ser aquela harmonia do céu, porque lhes enchera a alma de um gosto soberano e por aquele oculto modo de força de ficarem suspensos, porque não fossem averiguar a causa.

Nem foi este favor cousa nova em José; estão cheios os processos de sua vida de visões e raptos do céu, por mais de vinte vezes achei juradas cousas prodigiosas nesta matéria; em seu lugar se verão algumas.

[...]

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